e-livreto "Obesidade e transtornos alimentares: O que a química pode nos ajudar a entender?
LIVRETO - ACE A1_Equipe2 (1).pdf
Documento PDF (15.8MB)
Documento PDF (15.8MB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE QUÍMICA E BIOTECNOLOGIA - IQB
ATIVIDADES CURRICULARES DE EXTENSÃO A1 - 2026.2
OBESIDADE E TRANSTORNOS
ALIMENTARES: O QUE A QUÍMICA PODE
NOS AJUDAR A ENTENDER?
SOBRE O TRABALHO
O e-livreto “Obesidade e transtornos alimentares: o que a Química
pode nos ajudar a entender?” é um projeto desenvolvido na disciplina
Atividades Curriculares de Extensão A, do curso de Química
Licenciatura do Instituto de Química e Biotecnologia da Universidade
Federal de Alagoas. O material é voltado principalmente para jovens e
adultos e tem como objetivo realizar divulgação científica,
apresentando informações sobre a obesidade e os transtornos
alimentares de forma acessível e relacionando esses temas aos
conhecimentos da Química. O projeto busca abordar como essas
condições podem estar relacionadas a diferentes aspectos do
organismo, além de destacar a importância de uma relação saudável
com a alimentação e da busca por ajuda de profissionais de saúde
quando necessário. A partir de uma abordagem química, o material
apresenta a relação entre os alimentos, os nutrientes e algumas
moléculas envolvidas no funcionamento do organismo, aproximando
os conhecimentos da Química dos Alimentos de situações presentes
no nosso dia a dia. Dessa forma, o e-livreto busca contribuir para a
conscientização e a divulgação de informações científicas sobre
obesidade e transtornos alimentares, mostrando que a alimentação
está relacionada a diversos processos químicos que acontecem no
organismo.
AUTORES
Andre Marcos dos Santos
Anna Carollina dos Santos Freitas
Jasiel Paulino do Nascimento
José Galdino dos Santos Felix da Silva
Kauanne Oliveira Silva
Larissa Thome de Melo
ORIENTADORA
Profa. Dra. Letícia
Anderson Bassi
PARA COMEÇAR: O QUE A QUÍMICA
TEM A VER COM A ALIMENTAÇÃO?
Comer parece uma ação simples, mas muita coisa acontece
no organismo depois de uma refeição. Os alimentos fornecem
diferentes nutrientes que participam das reações químicas do
organismo. Alguns deles, como aminoácidos, vitaminas e minerais,
também participam da produção e da regulação de
neurotransmissores relacionados ao humor, sono, prazer e apetite.
Por isso, a alimentação não está relacionada apenas à
fome ou ao fornecimento de energia.
O que comemos participa do funcionamento do
organismo, mas nossa relação com a comida também pode
ser influenciada por emoções, estresse, hábitos e outros
fatores. Ao longo deste livreto, vamos conhecer algumas
condições relacionadas à alimentação e ao comportamento
alimentar, como obesidade, anorexia nervosa e compulsão
alimentar.
Figura 1 - Grupo das moléculas que consumimos.
4
QUANDO A RELAÇÃO COM A COMIDA
SE TORNA UM PROBLEMA?
Nossa
N
ossa relação com a comida vai além da fome e pode
ser influenciada por emoções, estresse, ambiente, condições
sociais e pela forma como enxergamos nosso corpo. Quando
essas alterações se tornam frequentes e passam a causar
sofrimento ou prejudicar a saúde e a qualidade de vida,
podem estar relacionadas a um transtorno alimentar.
Os transtornos alimentares envolvem fatores biológicos,
psicológicos e sociais, além de mecanismos relacionados à
fome, saciedade, recompensa e controle emocional. Esses
processos envolvem neurotransmissores e hormônios,
mostrando que compreender esses transtornos também é
entender o que acontece no organismo e no cérebro, dessa
forma é aí que a Química entra nessa história.
OBESIDADE
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial,
caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal
capaz de prejudicar a saúde. Isso significa que ela pode se
desenvolver ao longo do tempo e resultar da combinação de
vários fatores, como genética, hábitos de vida, ambiente,
condições econômicas, aspectos sociais e emocionais.
Portanto, não deve ser tratada como uma simples escolha
individual.
5
Um dos recursos mais utilizados para identificar o
sobrepeso e a obesidade é o Índice de Massa Corporal,
conhecido como IMC. Ele é calculado dividindo o peso, em
quilogramas, pela altura ao quadrado, em metros. Para os
adultos, um resultado entre 25 e 29,9 kg/m² é classificado
como sobrepeso, enquanto um resultado igual ou superior a
30 kg/m² é usado como referência para obesidade. No
entanto, o IMC apresenta limitações, pois não diferencia
gordura de massa muscular nem mostra como a gordura está
distribuída no corpo. Por isso, ele funciona principalmente
como um instrumento de avaliação inicial e não deve ser
analisado de forma isolada.
Figura 2 - Forma de Calcular o IMC.
6
DADOS POPULACIONAIS
A obesidade é um importante problema de saúde pública.
Em 2022, mais de 1 bilhão de pessoas viviam com obesidade
no mundo, cerca de 13% da população mundial. Entre
crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, aproximadamente
177 milhões viviam com obesidade em 2025. No mesmo ano,
cerca de 419 milhões apresentavam sobrepeso ou obesidade,
correspondendo a 20,7% dessa população. Para 2040, esse
número pode chegar a 507 milhões.
Figura 3 - Situação do Brasil em relação a obesidade.
Além dos impactos físicos, o excesso de peso pode afetar
a qualidade de vida, especialmente quando acompanhado
de estigma, discriminação e bullying. No Brasil, esse cenário
também merece atenção.
Com esses números, o Brasil aparecia entre os dez países
com os maiores números de crianças e adolescentes nessas
condições.
7
Entre os fatores que podem aumentar o risco de
obesidade infantil estão o consumo de bebidas açucaradas,
a falta de atividade física e hábitos alimentares inadequados.
Por isso, é importante promover ambientes que facilitem o
acesso a alimentos nutritivos e à prática de atividades
físicas, com ações envolvendo a família, a escola, a
comunidade e os serviços de saúde.
Figura 4 - Países com mais pessoas obesas de 5 a 19 anos.
QUÍMICA DAS MOLÉCULAS
TRIGLICERÍDEOS
Os triglicerídeos são lipídios formados pela união de uma
molécula de glicerol com três ácidos graxos. O glicerol
possui três carbonos, enquanto os ácidos graxos são
constituídos por cadeias de hidrocarbonetos de diferentes
tamanhos, que terminam em um grupo ácido carboxílico.
Essas cadeias também podem apresentar diferentes graus
de saturação, o que permite a existência de vários tipos de
triglicerídeos (Ahmed; Shah; Ahmed, 2023).
8
Figura 5 - Formação dos triglicerídeos
LIPOPROTEÍNAS: VLDL, LDL E HDL
São partículas que transportam triglicerídeos, colesterol
pelo sangue. A VLDL é produzida pelo fígado e possui grande
quantidade de triglicerídeos. Conforme perde esses
triglicerídeos, ela origina partículas intermediárias que
podem formar a LDL. A LDL possui maior quantidade de
colesterol e realiza seu transporte pelo organismo. A HDL
também transporta colesterol e fosfolipídios, participando do
transporte do colesterol dos tecidos para o fígado (Feingold,
2024).
Figura 6 - Estrutura de uma Lipoproteína
9
COLESTEROL
O colesterol é um tipo de
lipídio pertencente à classe
dos esteroides. A estrutura
característica dos esteroides é
formada por quatro anéis
unidos. O colesterol também
faz parte das membranas
celulares e contribui para a
manutenção de sua fluidez.
Figura 7 - Estrutura molecular do
colesterol
GLICOSE
A glicose é um dos principais combustíveis metabólicos
utilizados pelo organismo. No nível celular, ela participa da
produção de ATP, que fornece energia para diferentes
atividades das células. A glicose é utilizada para gerar
energia na forma de ATP pela rota metabólica da glicólise.
Ela também pode ser armazenada na forma de glicogênio e,
quando há excesso, ser transformada em gordura (lipídeos).
Figura 8 - Estrutura da Glicólise
O metabolismo da glicose está
conectado a diferentes vias celulares.
Alguns dos compostos formados nessas
vias podem participar de processos
relacionados
ao
metabolismo
de
neurotransmissores, como o glutamato e o
GABA.
10
ANOREXIA NERVOSA
A anorexia nervosa é um transtorno alimentar relacionado
ao medo intenso de ganhar peso e a alterações na
percepção da imagem corporal. Mesmo apresentando baixo
peso, a pessoa pode continuar acreditando que precisa
emagrecer e manter comportamentos que podem
comprometer tanto sua saúde física quanto mental. Embora
possa ocorrer em diferentes momentos da vida, a anorexia
apresenta maior ocorrência entre adolescentes e jovens
adultos e possui origem complexa, envolvendo diferentes
fatores
DADOS POPULACIONAIS
Os transtornos alimentares podem aparecer em diferentes
fases da vida. Entre eles, a anorexia nervosa apresenta uma
prevalência ao longo da vida de 0,16% na população geral.
Figura
Fig
ura 7 – Dados populacionais relacionados aos transtornos alimentares
e à anorexia nervosa
11
ANOREXIA NERVOSA
FATORES ENVOLVIDOS
A anorexia nervosa não está relacionada a um único fator.
Sua ocorrência envolve a interação de aspectos biológicos,
psicológicos e ambientais, que podem influenciar a relação
do indivíduo com a alimentação e com o próprio corpo.
Alterações
em
neurotransmissores,
hormônios e mecanismos relacionados à
fome, saciedade e recompensa.
Características
como
ansiedade
e
perfeccionismo podem estar relacionadas à
vulnerabilidade ao transtorno.
O contexto em que a pessoa está inserida
também pode participar da interação de
fatores associados ao transtorno.
CONSEQUÊNCIAS
A anorexia nervosa pode trazer várias consequências para
a saúde. A restrição alimentar e a perda de peso podem
causar fraqueza, alterações no funcionamento do organismo
e problemas que afetam diferentes partes do corpo.
12
COMPULSÃO
COMPULSÃO ALIMENTAR
ALIMENTAR
A compulsão alimentar é um transtorno caracterizado por
episódios recorrentes de ingestão de uma quantidade
elevada de alimentos acompanhados pela sensação de
perda de controle sobre o ato de comer. Esses episódios
podem ocorrer mesmo quando a pessoa não está com fome
e podem provocar sofrimento emocional e prejuízos na
qualidade de vida. A ocorrência do transtorno está
relacionada à interação de fatores psicológicos,
comportamentais e biológicos, não devendo ser
compreendida apenas como falta de força de vontade.
(BROWNLEY et al., 2016).
DADOS POPULACIONAIS
O transtorno de compulsão alimentar está entre os
transtornos alimentares mais frequentes e pode afetar
pessoas de diferentes idades, gêneros e pesos corporais.
Estudos realizados em diferentes países indicam que a
prevalência ao longo da vida está em torno de 1% a 2% da
população, embora os valores possam variar de acordo com
a população analisada e os critérios utilizados. (KESSLER et
al., 2013; KESSLER et al., 2018).
Quais são os sintomas?
A pessoa com compulsão alimentar pode comer uma
quantidade exagerada de alimentos mesmo sem estar com
fome e sentir que perdeu o controle durante o episódio.
Também é comum comer de forma acelerada e apresentar
sentimentos de tristeza ou culpa depois de comer.
13
Quais
Quais são
são os
os riscos
riscos àà saúde?
saúde?
A compulsão alimentar pode trazer consequências para a
saúde, estando relacionada a problemas como obesidade,
pressão alta, alterações no sono e diabetes. Também pode
estar associada a outros transtornos e problemas
emocionais.
Como
Como éé o
o tratamento?
tratamento?
O tratamento da compulsão alimentar pode envolver o
acompanhamento de diferentes profissionais. Psicólogos e
nutricionistas podem atuar em conjunto para ajudar a
compreender os fatores relacionados ao transtorno e
melhorar a relação com a alimentação.
14
O QUE ACONTECE NO CÉREBRO?
O comportamento alimentar não depende apenas da fome.
Ele envolve a interação entre mecanismos de fome e
saciedade, sistemas de recompensa, emoções e controle do
comportamento. Esses processos são influenciados por
diferentes neurotransmissores e hormônios, que podem
participar de diferentes transtornos alimentares.
ALGUMAS
ALGUMAS MOLÉCULAS
MOLÉCULAS ENVOLVIDAS
ENVOLVIDAS
Entre as diferentes substâncias que participam da
regulação do comportamento alimentar, podemos destacar:
A SEROTONINA é um neurotransmissor
relacionado à regulação do humor, da
ansiedade e da saciedade. Alterações
nesse sistema podem estar presentes em
diferentes transtornos alimentares.
A DOPAMINA é um neurotransmissor
ligado à motivação, recompensa e
aprendizagem. No comportamento
alimentar, participa da forma como o
cérebro responde aos alimentos.
15
O CORTISOL é um hormônio
relacionado à resposta do organismo
ao estresse. Na anorexia nervosa, a
restrição alimentar prolongada pode
estar associada ao aumento de sua
atividade
O TRIPTOFANO é um aminoácido essencial
obtido por meio da alimentação e utilizado
pelo organismo como precursor na
produção de serotonina. Em situações de
restrição alimentar, a ingestão e a
disponibilidade de nutrientes podem ser
alteradas, podendo afetar a disponibilidade
de triptofano no organismo. Esses efeitos
dependem de fatores como a intensidade e
a duração da restrição alimentar e o estado
nutricional do indivíduo
A LEPTINA é um hormônio produzido pelo tecido adiposo
que informa ao cérebro sobre as reservas de energia do
organismo. Ela também participa da regulação da saciedade.
A GRELINA é um hormônio produzido principalmente pelo
estômago e relacionado à sinalização da fome. Ela participa
da comunicação entre o sistema digestório e o cérebro
(MONTELEONE; MAJ, 2013).
16
COMO
COMO ESSAS
ESSAS MOLÉCULAS
MOLÉCULAS SE
SE RELACIONAM
RELACIONAM
COM
COM OS
OS TRANSTORNOS
TRANSTORNOS ALIMENTARES?
ALIMENTARES?
Anorexia
nervosa
Compulsão
alimentar
Obesidade
Pode participar
da regulação do
humor e do
comportamento
alimentar.
Relacionada à
regulação do
apetite e do
comportamento
alimentar.
Dopamina
Participa dos
sistemas de
recompensa e
motivação.
Envolvida na
recompensa e
na resposta aos
alimentos.
Relacionada aos
circuitos de
recompensa e à
resposta a
alimentos.
Leptina
Alterações
podem ocorrer
com a perda de
peso e a redução
das reservas
energéticas.
Participa da
sinalização das
reservas de
energia.
Atua na
sinalização das
reservas de
energia e na
saciedade.
Grelina
Relacionada à
sinalização da
fome.
Participa da
regulação da
fome e da
ingestão
alimentar.
Participa da
sinalização da
fome e do
comportamento
alimentar.
Cortisol
Pode apresentar
alterações
associadas à
restrição
alimentar e ao
estresse.
Pode estar
relacionado ao
estresse e ao
comportamento
alimentar.
Relacionado à
resposta ao
estresse e a
alterações
metabólicas.
Molécula
Relacionada à
Serotonina regulação do
humor, ansiedade
e saciedade.
IMPORTANTE: Essas moléculas não atuam de forma isolada.
Os transtornos alimentares são condições que envolvem
diversos fatores, envolvendo a interação entre fatores
biológicos, psicológicos e ambientais. Por isso, não é
possível atribuir um transtorno à alteração de uma única
substância.
17
COMO O CÉREBRO PARTICIPA DO
COMPORTAMENTO ALIMENTAR?
O comportamento alimentar não depende apenas da fome
ou da necessidade de energia do organismo. O cérebro
participa desse processo por meio de mecanismos
relacionados à fome e saciedade, recompensa,
recompensa, emoções e
controle do comportamento. Por isso, estímulos como o
cheiro, a aparência e o sabor dos alimentos, além de
experiências anteriores e do estado emocional, podem
influenciar nossa vontade de comer.
Figura
Fig
ura 8 - Ilustração dos fatores que influenciam o
comportamento alimentar.
Comportamento alimentar
18
SISTEMA DE RECOMPENSA
O cérebro possui circuitos relacionados à recompensa e à
motivação, que são ativados por diferentes estímulos,
incluindo alimentos considerados agradáveis. A dopamina
participa desses circuitos e está relacionada à motivação, à
aprendizagem e à busca por recompensas. Portanto, ela não
deve ser entendida apenas como a “molécula do prazer”.
Figura
Fig
ura 9 - ilustração de como o cérebro responde aos
alimentos.
Como
Como o
o cérebro
cérebro responde
responde aos
aos alimentos
alimentos
ESTÍMULO
ESTÍMULO
ALIMENTAR
ALIMENTAR
RECOMPENSA
MOTIVAÇÃO
MOTIVAÇÃO
COMPORTAMENTO
COMPORTAMENTO
CONTROLE COGNITIVO
O comportamento alimentar também envolve regiões do
córtex pré-frontal, relacionadas à tomada de decisões,
controle de impulsos e avaliação das consequências
(KOBER; BOSWELL, 2018; PASQUALE; BOYAR; BOUTELLE,
2024).
Assim, podemos sentir vontade de consumir determinado
alimento e, ao mesmo tempo, avaliar se queremos ou não
realizar esse comportamento.
EMOÇÕES E ALIMENTAÇÃO
Estados emocionais como estresse, ansiedade e tristeza
podem influenciar a relação com a comida. Em algumas
situações, o consumo de alimentos pode proporcionar uma
sensação momentânea de recompensa ou alívio (KOBER;
BOSWELL, 2018).
19
Esse processo pode contribuir para um ciclo:
Figura 10 - Ilustração do ciclo entre emoções e comportamento
alimentar.
Repetição
Esse mecanismo, porém, não ocorre da mesma forma
em todas as pessoas.
MECANISMOS E TRANSTORNOS ALIMENTARES
Nos transtornos alimentares, os mecanismos relacionados
à recompensa, às emoções e ao controle do comportamento
podem apresentar alterações.
Na compulsão alimentar, esses sistemas podem interagir
com o desejo intenso por determinados alimentos e com
dificuldades de controle, contribuindo para a sensação de
perda de controle durante os episódios.
Na anorexia nervosa, também são observadas alterações
no processamento da recompensa e na forma como
estímulos relacionados aos alimentos são avaliados pelo
cérebro (O'HARA; CAMPBELL; SCHMIDT, 2015; BERSHAD;
STEINGLASS, 2021). Entretanto, esses mecanismos não
explicam sozinhos o desenvolvimento dos transtornos
alimentares. Eles interagem com fatores biológicos,
psicológicos, sociais e ambientais.
20
E OS MEDICAMENTOS?
Como
Como os
os medicamentos
medicamentos atuam?
atuam?
Os medicamentos podem atuar em mecanismos relacionados à
fome, saciedade, ansiedade, humor e sistema de recompensa.
Seu uso deve ser individualizado e acompanhado por
profissionais de saúde, principalmente quando existem outros
sintomas associados (BECETTI et al., 2023; KIRCHBERG; PINSON;
FRANK, 2024).
Antidepressivos
Antidepressivos
Atuam principalmente sobre neurotransmissores como
serotonina e noradrenalina, envolvidos no humor, na ansiedade e
no comportamento alimentar. Embora a serotonina também
participe da saciedade, esses medicamentos não tratam
diretamente a anorexia nervosa. Podem ser utilizados quando há
sintomas associados, como depressão ou ansiedade.
Ansiolíticos
Ansiolíticos
Atuam sobre mecanismos relacionados à ansiedade e ao
estresse. Alguns agem no sistema GABAérgico, que reduz a
atividade dos neurônios. Podem auxiliar no tratamento de
sintomas associados, mas não são medicamentos específicos
para anorexia ou obesidade (KIRCHBERG; PINSON; FRANK, 2024).
21
Antipsicóticos
Antipsicóticos
Atuam principalmente nos sistemas dopaminérgico e
serotoninérgico, relacionados à motivação e à recompensa.
Alguns foram estudados como auxiliares no tratamento da
anorexia nervosa, mas as evidências ainda são limitadas e
não existe medicamento específico para tratar diretamente o
transtorno.
Medicamentos
Medicamentos que
que
reduzem
o
apetite
reduzem o apetite
No tratamento da obesidade, alguns medicamentos
atuam nos mecanismos de fome e saciedade. Esses
processos envolvem substâncias como serotonina,
dopamina, grelina, leptina e insulina, que participam da
comunicação entre o organismo e o cérebro. Quando
indicados por profissionais, esses medicamentos podem
ajudar no controle da fome e no aumento da saciedade.
IMPORTANTE: Os medicamentos não substituem o
acompanhamento multiprofissional. O tratamento deve ser
individualizado, pois cada transtorno alimentar possui
características e necessidades diferentes. Na anorexia
nervosa, não existe atualmente uma farmacoterapia
específica com eficácia estabelecida para tratar diretamente
o transtorno.
22
GLOSSÁRIO
GLOSSÁRIO
Aminoácido: molécula que participa da formação
formação de proteínas
e de outras substâncias importantes para o organismo.
Comportamento alimentar: conjunto de ações e respostas
relacionadas à alimentação, incluindo escolhas, quantidade e
forma de comer.
Dopamina: neurotransmissor relacionado à motivação,
Dopamina:
recompensa e aprendizagem, também participando da
resposta do cérebro aos alimentos.
GABA: neurotransmissor que atua principalmente diminuindo a
atividade dos neurônios. Está relacionado ao controle da
ansiedade e da excitabilidade cerebral.
Grelina: hormônio produzido principalmente pelo estômago e
relacionado à sinalização da fome.
Hiperglicemia: elevação da concentração de glicose (açúcar)
no sangue acima dos níveis considerados normais.
Hormônio: substância produzida pelo organismo que atua
como mensageiro, regulando diferentes funções do corpo.
Leptina: hormônio produzido pelo tecido adiposo que informa
ao cérebro sobre as reservas de energia e participa da
regulação da saciedade.
Neurotransmissor: substância química responsável pela
comunicação entre células nervosas.
Saciedade: sensação de estar satisfeito após a alimentação,
contribuindo para a regulação da ingestão de alimentos.
Serotonina: neurotransmissor relacionado à regulação do
humor, ansiedade e saciedade.
Sistema de recompensa: conjunto de estruturas e processos
cerebrais envolvidos na motivação e na sensação de prazer.
Transtorno alimentar: condição que envolve alterações
persistentes no comportamento alimentar e pode causar
prejuízos à saúde física e mental.
Triptofano: aminoácido obtido pela alimentação e utilizado
23
pelo organismo na produção de serotonina.
REFERÊNCIAS
AHMED, Saba; SHAH, Parini; AHMED, Owais. Biochemistry, lipid
metabolism. In: STATPEARLS [Internet]. Treasure Island: StatPearls
Publishing, 2026. Atualizado em: 1 maio 2023. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK525952/. Acesso em: 10 set.
2026.
AHMED, Sirwan Khalid; MOHAMMED, Ribwar Arsalan. Obesity: prevalence,
causes, consequences, management, preventive strategies and future
research directions. Metabolism Open, v. 27, art. 100375, 2025. Disponível
em:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2589936825000313.
Acesso em: 27 ago. 2026.
BECETTI, I. et al. The neurobiology of eating behavior in obesity:
mechanisms and therapeutic targets: a report from the 23rd Annual
Harvard Nutrition Obesity Symposium. The American Journal of Clinical
Nutrition, v. 118, n. 1, p. 314-328, 2023. Disponível em:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10375463/. Acesso em: 14 set.
2026.
BIOSERV. Como a Lipoproteína(a) pode ser um vilão oculto nas doenças
cardiovasculares.
Bioserv,
17
jun.
2025.
Disponível
em:
https://bioservlifesciences.com/como-a-lipoproteinaa-pode-ser-umvilao-oculto-nas-doencas-cardiovasculares/. Acesso em: 14 set. 2026.
BROWNLEY, Kimberly A. et al. Binge-eating disorder in adults: a systematic
review and meta-analysis. Annals of Internal Medicine, Philadelphia, v. 165,
n. 6, p. 409-420, 2016. DOI: 10.7326/M15-2455. Disponível em: PubMed.
Acesso em: 5 out. 2026.
FEINGOLD, Kenneth R. Introduction to lipids and lipoproteins. In:
FEINGOLD, Kenneth R. et al. (ed.). ENDOTEXT [Internet]. South
Dartmouth: MDText.com, 2000-. Atualizado em: 14 jan. 2024. Disponível
em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/sites/books/NBK305896/. Acesso em: 11
set. 2026.
FEDERAÇÃO MUNDIAL DA OBESIDADE. Atlas Mundial da Obesidade 2026:
obesidade infantil. 2. ed. Londres: Federação Mundial da Obesidade,
2026. Disponível em: https://data.worldobesity.org/publications/?cat=24.
Acesso em: 28 ago. 2026.
FRANK, Guido K. W.; SHOTT, Megan E.; DEGUZMAN, Marisa C. Recent
advances in understanding anorexia nervosa. F1000Research, v. 8, art.
504, 2019. DOI: 10.12688/f1000research.17789.1. Disponível em:
https://f1000research.com/articles/8-504. Acesso em: 27 ago. 2026.
24
GASMI, Amin et al. Neurotransmitters regulation and food intake: the role of
dietary sources in neurotransmission. Molecules, v. 28, n. 1, art. 210, 2023.
Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9822089/. Acesso
em: 27 ago. 2026.
HIMMERICH, H.; WFSBP TASK FORCE ON EATING DISORDERS. Novel
pharmacological treatment options for people with eating disorders. European
Psychiatry,
v.
66,
supl.
1,
p.
S13,
2023.
Disponível
em:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10417485/. Acesso em: 14 set. 2026.
KAYE, W. H.; FUDGE, J. L.; PAULUS, M. New insights into symptoms and
neurocircuit function of anorexia nervosa. Nature Reviews Neuroscience, v. 10,
p. 573-584, 2009. DOI: 10.1038/nrn2682.
KESSLER, Ronald C. et al. The prevalence and correlates of binge eating
disorder in the World Health Organization World Mental Health Surveys.
Biological
Psychiatry,
v.
73,
n.
9,
p.
904-914,
2013.
DOI:
10.1016/j.biopsych.2012.11.020. Disponível em: PubMed. Acesso em: 5 out. 2026.
KESSLER, Ronald C. et al. Epidemiology of binge eating disorder. Current
Opinion in Psychiatry, v. 31, n. 6, p. 462-470, 2018. DOI:
10.1097/YCO.0000000000000449. Disponível em: PubMed. Acesso em: 5 out.
2026.
KIRCHBERG, M. C.; PINSON, C.; FRANK, G. K. W. Pharmacotherapeutic
strategies for the treatment of anorexia nervosa – novel targets to break a
vicious cycle. Expert Opinion on Pharmacotherapy, v. 25, n. 17, p. 2253-2265,
2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39497232/. Acesso em:
14 set. 2026.
KOBER, H.; BOSWELL, R. G. Potential psychological & neural mechanisms in
binge eating disorder: implications for treatment. 2018. Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29329692/. Acesso em: 29 ago. 2026.
LEIGH, S. J.; MORRIS, M. J. The role of reward circuitry and food addiction in
the
obesity
epidemic:
an
update.
2018.
Disponível
em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28011401. Acesso em: 29 ago. 2026.
MONTELEONE, P.; MAJ, M. Dysfunctions of leptin, ghrelin, BDNF and
endocannabinoids in eating disorders: beyond the homeostatic control of food
intake. Psychoneuroendocrinology, v. 38, n. 3, p. 312-330, 2013. DOI:
10.1016/j.psyneuen.2012.10.021.
NAKRANI, Mihir N.; WINELAND, Robert H.; ANJUM, Fatima. Physiology, glucose
metabolism. In: STATPEARLS [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing,
2026.
Atualizado
em:
17
jul.
2023.
Disponível
em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560599/. Acesso em: 12 set. 2026.
25
O'HARA, C. B.; CAMPBELL, I. C.; SCHMIDT, U. A reward-centred model of
anorexia nervosa: a focussed narrative review of the neurological and
psychophysiological
literature.
2015.
Disponível
em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25735957. Acesso em: 30 ago. 2026.
PASQUALE, E. K.; BOYAR, A. M.; BOUTELLE, K. N. Reward and inhibitory
control as mechanisms and treatment targets for binge eating disorder. 2024.
Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39316228. Acesso em: 30
ago. 2026.
QIAN, Jie et al. An update on the prevalence of eating disorders in the
general population: a systematic review and meta-analysis. Eating and Weight
Disorders, v. 27, p. 415-428, 2022. DOI: 10.1007/s40519-021-01162-z. Disponível
em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33834377/. Acesso em: 29 ago. 2026.
SUBRAMANIAPILLAI, M.; MCINTYRE, R. S. A review of the neurobiology of
obesity and the available pharmacotherapies. CNS Spectrums, v. 22, n. S1, p.
29-38, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29350126/.
Acesso em: 14 set. 2026.
WONDERLICH, J. A.; BERSHAD, M.; STEINGLASS, J. E. Exploring neural
mechanisms related to cognitive control, reward, and affect in eating
disorders: a narrative review of fMRI studies. 2021. Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34188475/. Acesso em: 29 ago. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental disorders. Geneva: World Health
Organization, 2025. Disponível em: https://www.who.int/en/news-room/factsheets/detail/mental-disorders. Acesso em: 27 ago. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health of adolescents. Geneva:
World Health Organization, 2025. Disponível em: https://www.who.int/newsroom/fact-sheets/detail/adolescent-mental-health. Acesso em: 27 ago. 2026.
CRÉDITOS DAS IMAGENS
As ilustrações utilizadas neste livreto foram geradas
com auxílio de inteligência artificial, por meio das
ferramentas Gemini, do Google, e ChatGPT, da OpenAI,
a partir de comandos elaborados pelos autores (2026).
Créditos das estruturas moleculares
Todas as estruturas moleculares apresentadas neste
livreto foram geradas com o auxílio da ferramenta
MolView (2026).
26
